Projetos

Linguagem e(m) transformação: uma abordagem discursiva de processos linguístico-cognitivos (2024-atual)

Esta pesquisa objetiva explorar e analisar recursos semióticos e linguístico-cognitivos de sujeitos em processo de envelhecimento, tanto normal quanto patológico, com a intenção de ampliar a compreensão sobre o envelhecimento e combater mitos e estereótipos que fundamentam processos patologizantes. Adota-se uma perspectiva que compreende a situacionalidade imediata da relação linguagem-sujeito-cognição bem como a história e cultura. Metodologicamente, a pesquisa apoia-se em abordagens relacionais, difrativas e ético-onto-epistemológicas (Bakhtin, 2010 [1920-1924]; 2016 [1929]; Barad, 2007; Haraway, 2016; Prior et. al, 2024). Busca-se, assim, afastar-se de abordagens que isolam o funcionamento cognitivo de seu contexto bio-histórico-cultural, propondo uma abordagem que integra diferentes escalas genéticas (Mazuchelli, 2019; Prior et al., 2024) em busca de uma visão mais complexa dos processos de significação e da relação entre o normal e o patológico.


Processos de ensino-aprendizagem intergeracional: saberes e experiências para uma formação anti-idadista (2023-atual)

O idadismo é um fenômeno que promove a criação de estereótipos e discriminação e surge da propagação de discursos que vinculam, por exemplo, noções de incapacidade, infantilização e tutelagem à pessoa idosa. Esses processos estão associados à diminuição da qualidadede vida e da longevidade e a transtornos mentais e psiquiátricos (Kotter-Gruhn et al., 2009; Chang et al., 2015, Who, 2021). Embora o tema tenha ganhado relevância nos últimos anos, trata-se de um campo não explorado de maneira sistemática na Educação e na Saúde. É nesse contexto que este projeto busca investigar e desenvolver processos de ensino-aprendizagem com vistas a uma formação anti-idadista. Objetiva-se, por meio do trabalho multicêntrico (UFBA-UFU-UEFS) com rodas de conversa, mini-cursos de formação e oficinas, investigar a percepção e as vivências idadistas dos participantes, criando e analisando estratégias de enfrentamento para subsidiar a formação anti-idadista de pessoas idosas e profissionais da educação e da saúde.

A linguagem nos processos de envelhecimento normal e patológico na perspectiva da Neurolinguística (2015-2019)

O processo de envelhecimento, muitas vezes descrito como o “destino a que estamos todos fadados”, é um fenômeno complexo que vem sendo investigado por áreas diversas como a Psicologia, a Gerontologia e a Antropologia. Nos estudos linguísticos, contudo, o trabalho de maior relevância sobre o tema ainda é o de Preti, de 1991, cuja reflexão se fundamenta em um corpus restrito de enunciados de idosos com mais de 80 anos, falantes da norma culta do português. Considerando o crescente número dessa parcela da população no Brasil e no mundo, e a relativa ausência de reflexão linguística acerca do discursso desses sujeitos, este projeto propõe ampliar o escopo de análise linguística para um grupo de idosos em processo de envelhecimento normal e outro de indivíduos acometidos por patologias que alteram o funcionamento linguístico-cognitivo, considerando diferentes faixas etárias, classes sociais e práticas de letramento. Interessa-nos, assim, atingir dois objetivos centrais: (i) caracterizar os enunciados de sujeitos idosos atentando para os aspectos formais das construções linguísticas e seus contextos pragmático-discursivos; e (ii) analisar questões do discurso sobre o envelhecimento para melhor compreender tanto os mitos (novos ou não) que circulam na sociedade e na mídia, quanto a imagem que os idosos têm de si mesmos e que perpassa as interações e os processos dialógicos. Além disso, acreditamos que nossa reflexão, fundamentada nos princípios teórico-metodológicos da Neurolinguística de orientação enunciativo-discursiva, nos ajudará a melhor compreender como as ocorrências de alguns fenômenos mais frequentes na linguagem dos idosos (por exemplo, circunlóquios, digressões, hesitações) poderiam ser consideradas como indícios (cf. Ginzburg, 1989) de alterações de linguagem, contribuindo também para a discussão acerca da relação normal-patológico.